A propaganda no Brasil e o Conar – Black Friday

Foto: COFFY

Quando se fala em propaganda, a melhor coisa a se fazer é falar a verdade para o consumidor, ser honesto com ele.
Um consumidor frustrado com uma expectativa de boa compra é capaz tomar várias iniciativas para fazer com que as pessoas saibam que aquela marca não atendeu as suas expectativas. Ele não só deixará de comprar, mas também contará para inúmeras pessoas o que aconteceu com ele e qual foi a sua experiência com aquela empresa. Com o advento das redes sociais agora, é que esse efeito se potencializa.

Uma pessoa por exemplo com 400 amigos no Facebook, contará a elas do que aconteceu na sua compra frustrada, fazendo com que grande parte dessas pessoas já saibam disso. Vamos supor que se dentro dessas 400 pessoas, 5 pessoas resolvem compartilhar aquela postagem, e cada uma dessas cinco pessoas tenha mais 400 pessoas de amigos? Já uma quantidade muito grande de pessoas ficam sabendo disso. Enfim, é uma bola de neve que só acaba quando abusarem do assunto, e isso pode destruir a marca de uma empresa, aquela marca que foi muito difícil de fazer com que ela já ficasse conhecida na cabeça das pessoas e de forma positiva.

Foto: Simon S.

Normalmente, era para que todas as propagandas tivessem o objetivo de passar uma boa imagem à um produto, o valorizando e fazendo com que o cliente comprasse determinado produto ou serviço, mas acontece que as pessoas às vezes exageram e acabam enganando o consumidor. Hoje em dia, os consumidores são todos informados em sua maioria, os que são críticos tendem a aumentar seu grau de exigência de um produto ou serviço.

Como aconteceu agora recentemente no Black Friday no Brasil.

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O Black Friday é uma sexta-feira separada só para que as lojas juntem para venda todos os produtos que estão com preço menor e não que baixem preços de produtos que estão à venda para um preço menor. É um dia separado só para vendas, isso lá nos Estados Unidos. Na mesma data, resolveram fazer uma campanha dessas aqui no Brasil, e o resultado foi que várias lojas, de acordo com os noticiários, aumentaram o preço para um valor a mais, e na hora do Black Friday, elas baixaram na intenção de maquiar os preços, fazer com que o consumidor achasse que a mercadoria era barata e acabou que o pessoal nas redes sociais começou a fazer críticas e chegaram até a inventar um bordão para a campanha, ” Black Friday: Tudo pela metade do dobro”.

Falando agora de onde entra a ética nisso tudo: Esse de jogo de propaganda enganosa acaba por “sujar” a reputação dos anunciantes honestos. A atitude dos anunciantes que queriam se aproveitar comprometeu a imagem da propaganda em geral, e fez com que o consumidor ficasse  avesso ou desconfiasse de todas as propagandas resultando numa baixa nas vendas do Black Friday (o que inacreditavelmente não aconteceu, houve muitas vendas). Aí surge o código Brasileiro da Auto-regulamentação publicitária. Sua função é basicamente dar um norte à propaganda no Brasil. Surgiu no III Congresso Brasileiro de propaganda que foi realizado em 1978. E nesse mesmo ano o código de auto-regulamentação foi aprovado.

Pouco tempo depois foi fundado o Conar, que é o Conselho de Auto Regulamentação Publicitária. Seu objetivo é fazer com que o mercado publicitário adira aos princípios de código de ética na propaganda, podendo fazer recomendações, modificando e até suspendendo alguns comerciais e anúncios. Foi fundado e é dirigido pelas principais entidades publicitárias brasileiras, (ABA, Abap, Abert, Aner, ANJ entre outros).
Ele tem feito um ótimo trabalho até agora, agindo em defesa dos consumidores fazendo com que a ética prevaleça nesse meio. É necessário ter alguém coordenando as atividades em todos os meios para fazer com que as coisas funcionem, e não seria diferente no ramo da propaganda.

Lembro-me de outras notícias que vi na mídia a respeito das blogueiras de moda, que, em sincronia, fizeram posts parecidos dando a impressão de que foram pagas para isso e o Conar bateu em cima e passou a “investigar se a loja de cosméticos francesa e três blogs de moda desrespeitaram as regras da entidade” , de acordo com o artigo do link anterior. O certo a se fazer é que quando um site for pago para publicar algo, coloquem legivelmente para o visitante ver, uma identificação. O que grande parte do pessoal faz é só colocar uma Tag modesta no post como “Publipost” (que quer dizer – Post Publicitário) mas o certo, segundo profissionais, é que um Post pago seja devidamente indicado como artigo publicitário, inclusivo no título do post.

O Conar é dirigido por um conselho superior onde tem uma diretoria-executiva, câmaras de éticas onde são analisadas queixas de consumidores e de agências, um conselho de ética e colaboradores profissionais. O código de auto-regulamentação tem 5 capítulos sobre as principais atividades publicitárias, e mais 18 anexos (dados de 2003) sobre outros setores mais específicos.

Para mais informações e para se manter atualizado, consulte o site oficial do Conar regularmente (conar.org.br).

Everson Silva de Azevedo

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